Textos

a.C. ... antes da Carolina d.C... depois da Carolina

a.C. d.C

 - ...antes da Carolina ...depois da Carolina -

- MÁRIO CEZAR DA SILVEIRA -

Recortes do texto

 

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Se os fusquinhas falassem

 

Eu havia acabado de estacionar  meu fusquinha junto ao meio fio, sob a sombra de uma árvore e fiquei ali, saboreando a beleza daquela cidade com aparência deliciosamente provinciana, fundada em 1851.

 

Ainda dentro do carro, olhava distraidamente as ruas floridas e as casas com jardins bem cuidados, que davam sentido ser chamada "Cidade das Flores".

 

Ao tentar abrir a porta do Fusca, quase derrubei uma mãe que passeava de bicicleta sobre a calçada, com seu filho pequeno em uma cadeirinha presa ao guidom.

 

Estava atravessando a rua, ainda inebriado com a redescoberta do prazer de voltar a Joinville, quando fui "acordado" por um carro branco, que acelerou em minha direção e simulou me atropelar.

 

- O gatinho quer morrer - gritou, seguida de uma risada, uma voz feminina do interior do veículo.

 

- Estamos te sequestrando! - Disse a Célia entre risos.

 

As quatro começaram a falar sem parar, ligando um assunto a outro, quase sem respirar.

 

Eu não sabia qual seria o desfecho da aventura, mas aproveitava para saborear cada segundo.

 

Quando dei por mim, o fusquinha estava estacionando e percebi que, de tão absorto com a cidade que eu redescobria inebriado, havia deixado de prestar atenção nas companheiras daquele passeio que, de tão entretidas entre si, não se se perceberam que dei a elas menos atenção do que ao que via lá fora, ou se simplesmente respeitaram minha ausência contemplativa.

 

Mas distante de mim, sentada na cabeceira da segunda mesa, estava a Célia.

 

Brincando, a vi crescer, desabrochando como uma linda flor que se destaca no jardim.

 

Já noite, embarcamos no fusquinha e voltamos a rodar por Joinville.

 

O fusca da Célia parou ao lado do meu, que estava abandonado desde o início do inesperado e prazeroso sequestro.

 

Fui para casa "no automático", pois não conseguia me concentrar em outra coisa, senão em manter vivo, por mais tempo, aquela maravilhosa aventura.

 

Obras de referência no site:

https://www.mariocezar.com

SEBASTIAO
Enviado por SEBASTIAO em 08/07/2025
Alterado em 19/07/2025


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