"Autismo leve pra quem?"
Essa é a pergunta que me faço toda vez que alguém tenta minimizar os desafios que meu filho enfrenta. "Ah, mas ele fala", "Ele parece tão esperto", "Nem parece autista!"— como se o autismo tivesse uma cara única, como se a fala anulasse todas as dificuldades, como se um diagnóstico "leve" fosse sinônimo de vida fácil.
Mas leve pra quem? Pra ele, que enfrenta uma enxurrada de estímulos que o deixam exausto? Pra ele, que precisa ensaiar diálogos na cabeça antes de se arriscar a falar com alguém? Pra ele, que sofre com a incompreensão dos colegas e a falta de paciência do mundo?
Leve pra mim? Que vejo meu filho lutar todos os dias contra um mundo que não foi feito para ele? Que sou chamada de mãe superprotetora quando, na verdade, estou apenas garantindo que ele tenha o suporte necessário? Que passo noites em claro pesquisando terapias, estratégias e caminhos para ajudá-lo a viver com dignidade?
O autismo leve pode ser leve pra quem está de fora, pra quem olha superficialmente, pra quem só vê o que quer ver. Mas dentro da nossa casa, dentro da nossa realidade, não há nada de leve em lutar diariamente por inclusão, respeito e compreensão.
Neste Dia Mundial da Conscientização do Autismo, que possamos refletir sobre isso. Que possamos olhar além das aparências e entender que cada autista tem desafios únicos. Que possamos construir um mundo mais empático e acolhedor.
Então, antes de chamar de leve, tente enxergar além. Pergunte. Escute. E, acima de tudo, respeite."